
Data do evento: 27 de outubro de 2026
Evento: Webinar GASA Brasil
Uma mensagem de phishing, uma identidade roubada ou uma conta comprometida podem ser o ponto de partida para um golpe. Proteger empresas e pessoas exige compreender como essas ameaças estão conectadas e em que momento as organizações podem intervir para evitar que um ataque resulte em prejuízos financeiros.
Na abertura do debate, a mediadora Renata Salvini, Diretora do Capítulo Brasil da GASA, apresentou os resultados do estudo O Estado dos Golpes no Brasil 2026, da GASA: 81% dos adultos entrevistados enfrentaram pelo menos uma tentativa de golpe nos 12 meses anteriores, enquanto 10% sofreram perdas financeiras ou tiveram seus dados comprometidos. As perdas estimadas chegaram a R$ 21 bilhões. As consequências foram além dos prejuízos financeiros: 76% das vítimas relataram impactos em seu bem-estar emocional.
Palestrantes:
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- Alesandro Gonçalves Barreto, Delegado de Polícia Civil e Coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas – Ministério da Justiça e Segurança Pública.
- Luana Tavares, CEO e Fundadora – Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC).
- Kleber Gonçalves, Solution Consulting Manager, LATAM – Feedzai.
- Márcio Gonçalves, Diretor de Relações Governamentais – Microsoft Brasil.
Tornando a Cibersegurança uma Prioridade para os Negócios
Luana Tavares destacou que as empresas precisam deixar de enxergar a cibersegurança apenas como um custo e passar a reconhecê-la como um investimento na continuidade dos negócios. Ela enfatizou a importância de considerar os potenciais impactos financeiros de interrupções operacionais na avaliação dos investimentos em segurança cibernética.
Para empresas menores, compreender o custo de ficar impossibilitado de operar ou atender clientes pode tornar a necessidade de proteção mais concreta. Ela também ressaltou a importância de medidas essenciais de segurança, como autenticação de dois fatores, atualizações regulares de software e gestão eficiente de senhas, além de destacar a responsabilidade da alta liderança e a preparação para responder a incidentes.
Fortalecendo a Detecção e a Proteção contra Fraudes
Kleber Gonçalves explicou que a combinação do histórico de transações com informações sobre dispositivos, redes e padrões de comportamento pode ajudar a identificar atividades suspeitas mais rapidamente. Ele ressaltou que a confiabilidade da inteligência artificial depende da qualidade dos dados utilizados e que as lições aprendidas com incidentes devem retroalimentar os sistemas de prevenção.
Márcio Gonçalves alertou que golpes cada vez mais convincentes tornam mais difícil para as pessoas reconhecerem situações fraudulentas. Ele defendeu uma abordagem de proteção em múltiplas camadas, combinando segurança de identidade, autenticação, detecção de ameaças e treinamento de funcionários.
Trabalhando em Conjunto para Desarticular Redes Criminosas
Alesandro Gonçalves Barreto explicou como os criminosos dependem de informações pessoais para planejar e executar golpes. Por meio de vazamentos de dados e de empresas que comercializam informações pessoais (data brokers), os golpistas podem ter acesso a informações surpreendentemente detalhadas sobre os indivíduos, chegando a saber até mesmo quais vacinas receberam. Esses dados são combinados com tecnologia e conhecimento compartilhado para desenvolver ataques cada vez mais direcionados.
Ele destacou a necessidade de uma colaboração mais próxima entre empresas, forças de segurança, sistema de Justiça e academia. Ressaltou que os diferentes atores precisam superar barreiras burocráticas, sentar-se à mesma mesa e trabalhar em conjunto para conectar as evidências disponíveis ao conhecimento especializado necessário para uma atuação efetiva.
Ao longo do painel, os palestrantes enfatizaram que o compartilhamento de informações sobre contas, dispositivos e atividades criminosas suspeitas pode fortalecer tanto a prevenção quanto as investigações. O debate foi encerrado com um chamado ao fortalecimento da coordenação nacional e à ambição de posicionar o Brasil como referência internacional, compartilhando sua experiência com outros países.
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